curamao_depressao

Compartilhe:

Facebook 0
Google+ 0
Twitter
WhatsApp
Email
Print

Caso contido no livro: Corpo em depressão. Autor: Alexander Lowen, pag. 18.

Margareth era um caso típico. Era jovem, aproximadamente uns vinte cinco anos, e casada, como ela dizia, com um homem excelente. Tinha um emprego que ela considerava razoavelmente interessante e do qual não se queixava. Na verdade, não havia nada em sua vida que a desagradasse, mesmo assim dizia sofrer de uma depressão crônica. Eu não diria pelas aparências que Margaret estivesse deprimida, porque quando ela veio ao meu consultório, sorriu constantemente e falou de si mesma animadamente com a voz num tom bem alto. Ninguém poderia supor a natureza de seu problema, num primeiro encontro com ela, a menos que fosse suficientemente sagaz para perceber que suas maneiras eram uma máscara. Se se examinasse cuidadosamente ou a observasse desprevenida, poderia se notar que de vez em quando ela ficava muito quieta, e que quando seu sorriso sumia, seu rosto ficava inexpressivo.

Margaret sabia que estava deprimida. Necessitava de esforço de vontade simplesmente para se levantar de manhã e ir trabalhar. Sem ele, permaneceria na cama sem fazer nada. E, na verdade, durante um período anterior de sua vida, houve ocasiões em que ela realmente se sentiu imobilizada. Isso não aconteceu mais, contudo, e vinha havendo uma melhora geral nas condições de Margaret com o passar dos anos. Mas alguma coisa ainda estava faltando em sua personalidade. Havia um vazio interior e a falta do prazer real. Margaret estava escondendo alguma coisa de si mesma. Seu sorriso, sua loquacidade e suas maneiras eram uma fachada fingindo para o mundo que tudo ia bem com ela. Quando estava só, a fachada se despedaçava e ela vivenciava seu estado depressivo.

Ao longo de sua terapia, tomou contato com um sentimento profundo de tristeza. Compreendeu que não se sentia com direito a expressar sua tristeza. No entanto, quando se rendia, chorava e o choro sempre a fazia se sentir melhor. Podia também ficar zangada com a recusa ao seu direito de expressar seus sentimentos. Chutar e esmurrar o divã a animava e melhorava seu humor. O verdadeiro trabalho da terapia era ajudá-la a encontrar a causa de sua tristeza e eliminar a necessidade de sua fachada de alegria. Quando Margaret ficou em contato com seus sentimentos e aprendeu a expressá-los diretamente, sua depressão desapareceu.

Escrito por Silvana Medeiros